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Chapter 1
A Fenda no Fundo do Mar
A última bolha da manhã estourou sobre o relógio da Praça da Fenda, bem no instante em que Bob Esponja ajustava a gravata diante da janela do Siri Cascudo. O som foi pequeno, quase um estalo de unha, mas o chão inteiro respondeu com um gemido profundo. - Que estranho - disse ele, segurando a gravata. - O chão não costuma fazer barulho quando está feliz.
As placas da rua se levantaram. Um risco azul-escuro abriu-se no fundo arenoso, atravessando a praça, passando entre o Siri Cascudo e o Balde de Lixo, e descendo até uma região onde a água parecia perder a cor. Bob largou a gravata e correu para fora. Ao redor, peixes saíam de suas casas, portas batiam, e uma fila de bolhas subia da rachadura como se o próprio oceano estivesse tentando respirar. - Todo mundo para trás! - gritou ele, embora ninguém soubesse se a ordem era para os outros ou para a fenda.
Uma luz azul explodiu no centro da abertura.
Bob ergueu os braços para proteger os olhos. Quando tornou a enxergar, havia um ouriço azul parado sobre a areia quebrada, com os tênis vermelhos afundados até a metade. Ele girou a cabeça, examinou os prédios tortos e franziu o cenho. - Hã. Isso definitivamente não é Green Hill.
Bob piscou. - E você definitivamente não é uma água-viva. - Sonic. Sonic, o Ouriço. - Bob Esponja Calça Quadrada! - respondeu Bob, apontando para si mesmo com orgulho. - Funcionário do mês muitas vezes, cozinheiro de hambúrgueres, praticante de karatê e... bem, acho que já falei demais.
Sonic olhou para a fenda, que se alargava atrás dele. - A gente pode continuar a apresentação enquanto corre?
A areia sob os pés de Bob se desfez. Ele saltou para o lado, mas uma lasca da praça caiu na abertura e desapareceu sem fazer barulho. Não afundou. Não foi levada pela correnteza. Simplesmente deixou de existir.
O sorriso de Bob murchou. - Precisamos achar uma saída segura - disse ele. - Antes que ela engula a cidade inteira.
Sonic se inclinou para a frente, pronto para disparar. - Então escolha um caminho. - O caminho mais seguro é sempre o caminho mais bem organizado!
Bob apontou para a rua que levava ao Siri Cascudo. Nesse instante, a rua se dobrou como uma fita, formando uma curva impossível. O restaurante apareceu de cabeça para baixo por um segundo, depois voltou ao lugar, embora a placa agora dissesse “Siri Cascudo” ao contrário. - Talvez não seja tão organizado quanto eu esperava - admitiu Bob.
Um estrondo percorreu Bikini Bottom. A fenda avançou pela praça em três veios luminosos, cada um abrindo pequenas janelas para lugares diferentes. Em uma delas, Bob viu montanhas verdes sob um céu azul. Em outra, uma cidade de metal atravessada por trilhos. Na terceira, apenas um vazio roxo salpicado de estrelas que se moviam depressa demais.
Sonic ficou imóvel. - Isso não é uma rachadura comum. - Eu também já tinha percebido essa parte. - É uma fenda entre mundos.
A voz de Sonic perdeu o tom brincalhão. Ele se aproximou da abertura e estendeu a mão, sem tocar. Um fio de luz azul saiu de seus dedos, puxado para dentro como linha diante de um ventilador.
Bob agarrou o braço dele. - Não encoste! - Eu ia só olhar. - Quando alguém diz “só olhar”, normalmente alguma coisa explode.
Sonic sorriu de lado. - Gostei de você.
A praça tremeu outra vez. Uma parte do coreto deslizou para dentro da fenda. Bob ouviu madeira rangendo, vidro quebrando e, mais distante, o grito de alguém pedindo ajuda. Seu estômago se apertou. - Temos que levar todos para um lugar seguro. - Primeiro tiramos nós dois daqui. Depois voltamos.
Bob encarou Sonic. - Não. Primeiro tiramos todo mundo daqui. - Se ficarmos parados, não vai sobrar cidade para salvar.
A frase atingiu Bob com força. Ele olhou para as casas, para as placas flutuando sem apoio, para o caminho que se desfazia a cada segundo. Sonic estava certo, mas isso não tornava a ideia menos assustadora. - Então vamos encontrar a saída - disse Bob. - E voltamos pelos outros.
Sonic assentiu.
Eles correram pela avenida principal. Sonic disparou primeiro, deixando um risco azul na areia, mas parou ao perceber que Bob não conseguia acompanhá-lo. - Desculpa - disse ele. - Velho hábito. - Tudo bem! Eu também tenho hábitos. Como respirar, trabalhar e não ser engolido por rachaduras cósmicas antes do almoço.
Sonic agarrou Bob pela mão e o puxou. O mundo virou um borrão de cores. Bob sentiu a areia chicotear seu rosto, ouviu o tilintar das janelas e, por um instante, teve a impressão de que suas pernas haviam se transformado em molas. Quando Sonic parou, os dois estavam diante do cruzamento que levava ao Campo de Águas-Vivas.
Só que o campo já não ficava ali.
No lugar dele havia uma floresta de cogumelos gigantes, cujas copas flutuavam na água. Cada vez que uma bolha tocava os cogumelos, eles mudavam de cor e soltavam um som agudo. - Esse não é o caminho - disse Bob. - Não era para ser.
Atrás deles, a avenida começou a se desfazer. A rua perdeu as bordas, as casas ficaram transparentes e o letreiro do Balde de Lixo se fragmentou em letras brilhantes.
Sonic olhou para os próprios pés. Um rastro azul, fino como uma rachadura em vidro, saía de seus tênis e seguia até a fenda. - Isso veio comigo.
Bob se ajoelhou. A luz tremia sobre a areia, deixando pequenos quadrados de outro lugar no caminho. Em um deles, uma folha seca girava sob um céu vermelho. Em outro, uma gota de chuva caía para cima. - O rastro está puxando pedaços dos outros mundos. - Então eu sou o problema. - Você é um problema - disse Bob. - Mas não necessariamente o problema.
Sonic soltou uma risada curta. - Obrigado... eu acho.
Um rugido interrompeu a conversa. Da floresta de cogumelos, uma onda de água disparou contra eles. Bob foi arremessado para trás e bateu numa placa. Sonic cravou os calcanhares na areia, mas a corrente o arrastou vários metros. - Bob!
Bob agarrou a borda de uma caixa de correio enquanto a água passava por cima. A caixa vibrava sob seus dedos. À frente, a corrente carregava pedaços da cidade: uma cadeira, um poste, metade de uma calçada. Tudo que tocava a água se desfazia em pequenos pontos luminosos.
Sonic correu contra a corrente. Cada passo dele deixava marcas azuis que se abriam como feridas. - Não venha! - gritou Bob. - O rastro está piorando! - E deixar você virar confete também não parece uma boa ideia!
Sonic saltou, girou no ar e atingiu uma placa solta. A placa se partiu, mas desviou a corrente o bastante para Bob se soltar. Ele rolou pela areia e caiu junto de Sonic, os dois protegidos atrás de uma estátua de peixe que tremia como gelatina. - Você está bem? - perguntou Sonic. - Acho que sim. Minha calça está um pouco mais quadrada do que antes.
Sonic olhou para o rastro. A linha azul agora pulsava, acompanhando o ritmo de algo enorme do outro lado da fenda. - Precisamos achar um lugar onde isso não alcance.
Bob apertou os olhos. No alto de um poste inclinado, uma fileira de bolhas subia em espiral. Elas não eram como as outras. Dentro de cada bolha havia uma imagem: um pedaço do Siri Cascudo, uma rua desconhecida, um anel dourado, a silhueta de uma porta. - Sonic! Ali!
Sonic acompanhou o olhar. - Um anel? - Não. Uma porta! Quer dizer... talvez uma porta. Está dentro de uma bolha, então pode ser uma porta muito pequena ou uma bolha muito grande.
A corrente voltou a rugir. A estátua atrás deles rachou. - Seja o que for, é nossa melhor chance.
Sonic disparou em direção ao poste. Bob correu atrás, desviando de fragmentos que surgiam e desapareciam sob seus pés. A cada movimento de Sonic, o rastro se esticava. A fenda parecia perceber o caminho deles e se abria mais adiante, bloqueando as ruas. - Ela está nos seguindo! - gritou Bob. - Então pare de olhar para trás! - Eu olho para trás quando estou preocupado! - Fique preocupado mais rápido!
Sonic saltou sobre uma banca de frutas, atravessou o ar e atingiu o poste com os dois pés. O metal se dobrou. As bolhas se espalharam pela praça. Bob pulou e agarrou a maior delas, mas sua superfície elástica o lançou para cima.
Por um segundo, ele flutuou dentro da bolha.
A porta estava ali, nítida agora: uma moldura dourada cercada por um céu azul. Do outro lado, Bob viu uma trilha de areia que não pertencia a Bikini Bottom. Um anel brilhava sobre uma pedra. - Sonic! É uma saída!
A bolha estourou.
Bob caiu. Sonic o segurou pela cintura antes que ele atingisse o chão. - Eu sabia que você conseguiria - disse Sonic. - Eu não sabia. - Foi por isso que eu disse.
A porta apareceu no meio da praça, mas não ficou aberta. Ela tremeluzia, surgindo e desaparecendo conforme o rastro azul tocava o chão.
Sonic se aproximou. - Eu entro primeiro. Se for seguro, puxo você. - Não! - Bob agarrou sua mão. - Nós dois juntos. - Bob, se essa coisa me reconhece como parte dela, pode fechar quando você passar. - Então teremos de ser mais rápidos que uma porta interdimensional.
Sonic mostrou os dentes. - Finalmente uma ideia sensata.
Eles correram. A fenda rugia atrás deles, arrancando a torre do relógio em pedaços de luz. Bob sentiu o calor da energia atravessar sua esponja, ouviu Sonic gritar e viu o rastro azul se enrolar no tornozelo do ouriço. - Sonic!
Bob não pensou. Atirou-se contra o rastro e o agarrou com as duas mãos. A luz era gelada, depois quente, depois áspera como areia. Ela puxou Bob para trás com força suficiente para esticar seus braços. - Solta! - gritou Sonic. - Nem pensar! - Se você não soltar, vai atravessar comigo! - Esse é o plano!
Sonic cravou os pés. Com um giro rápido, lançou um anel dourado para a porta. O anel atravessou a moldura, e a passagem se abriu como uma janela atingida por vento.
Bob puxou o rastro para si. A luz entrou em seu corpo como uma fita viva, fazendo seu contorno brilhar. Sonic agarrou Bob pelo pulso, e os dois saltaram através da porta no instante em que a praça inteira desabava atrás deles.
A queda terminou sobre uma faixa de areia firme.
Bob rolou, levantou-se e bateu as mãos no próprio corpo. Ainda era amarelo. Ainda tinha calça quadrada. Ainda conseguia respirar. - Conseguimos!
Sonic estava de joelhos alguns passos adiante. O rastro azul não havia ficado para trás. Agora corria por seu braço, subindo até o ombro em linhas instáveis, como pequenos relâmpagos presos sob a pele.
Ele tentou limpar a marca com a luva. A luz se espalhou mais. - Não toque nisso - disse Bob, aproximando-se. - Eu já toquei. - Então não toque de novo!
Atrás deles, a porta se fechou. Do outro lado da moldura, por uma fração de segundo, Bikini Bottom apareceu deformada: o Siri Cascudo flutuando no vazio, a praça partida e uma onda de luz avançando pelas ruas.
Depois, a porta ficou escura.
Sonic se levantou devagar. O chão sob seus tênis começou a vibrar. Ao longe, além das colinas verdes, outras luzes azuis surgiram no céu, uma após outra, como sinais respondendo ao chamado.
Bob segurou o braço marcado do ouriço. - A saída nos trouxe para longe da fenda.
Sonic encarou as luzes. - Sim. - Mas trouxe a fenda atrás de nós.
A marca em seu ombro pulsou. No céu, uma nova rachadura se abriu, fina e brilhante, apontando diretamente para os dois.
Sonic respirou fundo e fechou os punhos. - Então vamos descobrir de onde ela veio antes que encontre o caminho de volta para sua cidade.
Bob olhou para a porta apagada, depois para o horizonte que começava a se partir em cores. - E, quando descobrirmos, vamos consertar tudo.
A rachadura cresceu acima deles. Um anel dourado rolou pela areia e parou aos pés de Bob.
Ele o pegou.
Dessa vez, nenhum dos dois riu.
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What's inside: 5 chapters
- 1. A Fenda no Fundo do Mar
- 2. O Juramento de Coragem de Sonic
- 3. A Carta que Não Existe
- 4. O Portal que Cobra Uma Escolha
- 5. A Trilha Estável de Volta ao Normal
About this book
"Bob Esponja E Sonic No Caos" is a fiction book by Anonymous with 5 chapters and approximately 10,506 words. Crossover fictício entre Bob Esponja e Sonic no multiverso.
This book was created using Inkfluence AI, an AI-powered book generation platform that helps authors write, design, and publish complete books. It was made with the AI Novel Writer.
Frequently Asked Questions
What is "Bob Esponja E Sonic No Caos" about?
Crossover fictício entre Bob Esponja e Sonic no multiverso
How many chapters are in "Bob Esponja E Sonic No Caos"?
The book contains 5 chapters and approximately 10,506 words. Topics covered include A Fenda no Fundo do Mar, O Juramento de Coragem de Sonic, A Carta que Não Existe, O Portal que Cobra Uma Escolha, and more.
Who wrote "Bob Esponja E Sonic No Caos"?
This book was written by Anonymous and created using Inkfluence AI, an AI book generation platform that helps authors write, design, and publish books.
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