Ainda Existe Carinho
Created with Inkfluence AI
Memórias autobiográficas sobre amor, perda e saudade
Table of Contents
- 1. O primeiro encontro no ônibus
- 2. Cartas curtas depois das aulas
- 3. A pergunta que ninguém respondia
- 4. A despedida na chuva da tarde
- 5. Aprendendo a viver com saudade
Preview: O primeiro encontro no ônibus
A short excerpt from “O primeiro encontro no ônibus”. The full book contains 5 chapters and 8,730 words.
O ônibus avançava aos solavancos entre uma parada e outra, e eu tentava me equilibrar sem chamar atenção. O cheiro de tecido antigo, combustível e gente apressada se misturava ao ar abafado da manhã. Eu estava a caminho do trabalho ou do estudo, preocupado com o horário, com o destino e com a necessidade de passar despercebido, como tantas vezes acontecia naquela fase da minha vida.
Foi então que vi Iasmin.
Não houve música, certeza imediata ou qualquer gesto grandioso. Apenas a presença dela dentro daquele ônibus lotado, entre pessoas que subiam e desciam sem saber que, para mim, aquele instante começaria a ganhar um significado que eu só entenderia muito tempo depois. Eu a avistei no meio do movimento, enquanto o veículo deixava uma parada e se dirigia à próxima. Por alguns segundos, minha atenção deixou de acompanhar o caminho.
O ônibus freou, e todos se moveram juntos. Algumas pessoas seguraram as barras; outras se apoiaram umas nas outras para não cair. Eu também procurei onde firmar a mão, mas continuei olhando na direção de Iasmin sempre que conseguia. Tentava fazer isso sem parecer insistente. Havia uma distância entre nós, preenchida por passageiros, bolsas, braços e pelo ruído constante do motor.
Eu ainda precisava chegar a tempo. Essa era a preocupação concreta daquela manhã. O relógio, o trajeto e as paradas obedeciam a uma urgência que não dependia de mim. O ônibus poderia parar por muito tempo, encher ainda mais ou seguir por um caminho mais lento. Mesmo assim, alguma coisa em mim passou a acompanhar outro tipo de percurso. Enquanto eu calculava o tempo restante, também procurava maneiras de permanecer atento à presença dela.
Naquele momento, eu não sabia nada sobre Iasmin além do que meus olhos alcançavam. Não sabia o que ela pensava, o que sentia ou se havia percebido a minha presença. E foi importante, mais tarde, reconhecer essa diferença. Eu podia contar o que aconteceu comigo; não podia inventar o que acontecia dentro dela. O primeiro encontro pertenceu, antes de tudo, ao meu olhar e à maneira como aquele olhar começou a guardar uma lembrança.
O ônibus parou novamente. As portas se abriram com um ruído áspero, e algumas pessoas desceram. Outras entraram depressa, ocupando os poucos espaços que haviam surgido. Por um instante, pensei que a movimentação pudesse aproximar nós dois. Mas a mesma confusão que criava uma oportunidade também a desfazia. Um passageiro passou entre nós, e perdi Iasmin de vista.
Eu me virei com cuidado, tentando encontrá-la sem demonstrar o quanto estava procurando. O caminho até o trabalho ou o estudo continuava, mas já não parecia apenas um deslocamento. Havia uma atenção nova, ainda tímida, que me fazia notar cada parada e cada mudança dentro do ônibus. A viagem, que antes era somente uma parte repetida dos meus dias, passou a carregar a possibilidade de um reencontro.
Quando voltei a vê-la, foi por uma abertura pequena entre as pessoas. O ônibus seguia cheio, e o barulho das conversas se confundia com o ronco do motor. Eu não tinha certeza de que deveria falar. Talvez aquele não fosse o momento. Talvez eu estivesse interpretando como importante algo que, para ela, fosse apenas mais uma viagem. Essas dúvidas me mantinham quieto.
Eu estava acostumado a tentar não ocupar espaço demais. A observar antes de agir. A proteger meus sentimentos mantendo-os longe de qualquer situação em que pudessem ser recusados. Por isso, o obstáculo não era apenas o ônibus lotado. Era também o medo de transformar uma impressão em constrangimento, de dizer alguma coisa e não receber nada de volta.
Ainda assim, a presença dela alterou meu modo de estar ali. Eu não queria perder aquele instante. Não porque já soubesse o que ele significaria, mas porque alguma coisa me dizia que eu deveria prestar atenção. O ônibus passava pelas ruas, parava, arrancava, e cada movimento interrompia a possibilidade de uma aproximação mais tranquila.
Em determinado momento, conseguimos ficar mais próximos. Não foi uma aproximação planejada. O espaço se abriu de forma breve, como acontecia quando alguém descia ou mudava de lugar. Eu me lembro mais da sensação de oportunidade do que de qualquer detalhe extraordinário. Havia o ruído dos freios, o toque áspero da barra sob a minha mão e o ar quente que entrava pelas janelas. Tudo parecia comum, mas eu estava vivendo aquilo com uma concentração diferente.
Eu disse alguma coisa a ela.
As palavras foram poucas. Não tenho motivo para transformá-las em uma conversa perfeita, porque não foi assim. O que existiu foi uma troca breve, possível dentro daquele trajeto interrompido. Iasmin respondeu, e nós conseguimos compartilhar algumas palavras antes que o ônibus voltasse a nos separar. Não sei se aquele momento teve para ela o mesmo peso que teve para mim. Não posso afirmar que ela tenha sentido uma curiosidade igual à minha, nem que tenha guardado aquela conversa da mesma maneira.
O que posso dizer é que, para mim, alguma coisa se moveu.
...
About this book
"Ainda Existe Carinho" is a biography book by Anonymous with 5 chapters and approximately 8,730 words. Memórias autobiográficas sobre amor, perda e saudade.
This book was created using Inkfluence AI, an AI-powered book generation platform that helps authors write, design, and publish complete books. It was made with the AI Biography Writer.
Frequently Asked Questions
What is "Ainda Existe Carinho" about?
Memórias autobiográficas sobre amor, perda e saudade
How many chapters are in "Ainda Existe Carinho"?
The book contains 5 chapters and approximately 8,730 words. Topics covered include O primeiro encontro no ônibus, Cartas curtas depois das aulas, A pergunta que ninguém respondia, A despedida na chuva da tarde, and more.
Who wrote "Ainda Existe Carinho"?
This book was written by Anonymous and created using Inkfluence AI, an AI book generation platform that helps authors write, design, and publish books.
How can I create a similar biography book?
You can create your own biography book using Inkfluence AI. Describe your idea, choose your style, and the AI writes the full book for you. It's free to start.
Write your own biography book with AI
Describe your idea and Inkfluence writes the whole thing. Free to start.
Start writingCreated with Inkfluence AI